• Sidha Moitinho

Hilda Hilst



Um dos grandes nomes da poesia brasileira, Hilda Hilst. A poeta que encantava todos ao seu redor, era uma mulher inteligente, culta que trazia o poder da escrita em suas veias e, ainda era belíssima! Sua beleza marcante, despertava muitas paixões. Hilda tinha uma personalidade efervescente, sabia o que queria e para onde estava dirigindo sua vida. Ela viveu uma vida boemia até decidir dedicar-se exclusivamente a literatura. A Escritora nos emociona e nos enaltece com sua profundidade como ser poético. Hilda possuía uma visão tão inesgotável através das letras que ainda hoje atrai muitos olhares para sua obra. Ela foi poeta, dramaturga, ficcionista, nasceu no interior do estado de São Paulo, na cidade de Jaú, no dia 21 de abril de 1930, vindo a falecer em Campinas, em 04 de fevereiro de 2004. Seus primeiros livros: Presságio e Balada de Alzira, foram lançados em 1950 e 1951, em 1952 conclui o curso de Direito. Depois que recebeu em 1962 o Prêmio Pen Club de São Paulo, mudou-se para a Fazenda São José, próxima a Campinas, de propriedade de sua mãe. Em 1966 muda-se para a Casa do Sol (hoje Instituto Hilda Hilst), construída na fazenda, onde viveu com o escultor Dante Casarini, seu marido. Sua intensa produção literária lhe trouxe vários prêmios e homenagens como o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), pelo livro Ficções, considerado o “Melhor Livro do Ano”. Em 1980 recebe eu o prêmio pelo conjunto da obra pela mesma instituição.

Ao dar início a uma nova fase na sua carreira, que a escritora declarou ser como o “adeus à literatura séria”, buscando vender mais e, também, receber o reconhecimento do público, desagradou os amigos e a crítica. A temática de sua poesia circundou as ações humanas, a inquietude do ser, a morte, o amor, o sexo, Deus e indagações metafísicas. Hilda ´Hostil uma poeta plural e única.



Amavisse

Como se te perdesse, assim te quero. Como se não te visse (favas douradas Sob um amarelo) assim te apreendo brusco Inamovível, e te respiro inteiro Um arco-íris de ar em águas profundas. Como se tudo o mais me permitisses, A mim me fotografo nuns portões de ferro Ocres, altos, e eu mesma diluída e mínima No dissoluto de toda despedida. Como se te perdesse nos trens, nas estações Ou contornando um círculo de águas Removente ave, assim te somo a mim: De redes e de anseios inundada.

Aquela

Aflição de ser eu e não ser outra. Aflição de não ser, amor, aquela Que muitas filhas te deu, casou donzela E à noite se prepara e se adivinha Objeto de amor, atenta e bela. Aflição de não ser a grande ilha Que te retém e não te desespera. (A noite como fera se avizinha) Aflição de ser água em meio à terra E ter a face conturbada e móvel. E a um só tempo múltipla e imóvel Não saber se se ausenta ou se te espera. Aflição de te amar, se te comove. E sendo água, amor, querer ser terra.

UM POUCO MAIS PRA VOCÊ DESFRUTAR ENIGMÁTICA POETA


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