• falamoitinho

TEMPOS DE CRIANÇA

PARTE 1

Vem voar comigo nas asas do tempo da meninice! Quero percorrer a estrada da inocência... Rever o tempo em que eu sonhava crescer, e me tornar um ser pleno e infinito.

Quero sem cerimônia, sem frescura, sem vergonha, te apresentar uma pessoinha fofolete que jamais esqueci...

Você certamente deve ter pessoinhas do seu tempo de criança que jamais esquecerá...

No meu tempo de menina a vontade do meu coração era ser heroína, moça fina e admirada, uma vencedora pra ninguém botar defeito. Risos.

Por volta de uns nove anos fiz minha primeira amiguinha na escola; ela tinha lindos cabelos ruivos abaixo dos ombros, as maças do seu rostinho eram coradas e pintadinhas com sardinhas delicadas.

Eu tinha cabelos castanhos encaracolados abaixo dos ombros, também, usava chapéu de crochê para não pegar piolho,no meu rosto Deus desenhou três pintinhas em diagonal para lembrar as três Marias (estrelas).

Shirley e eu tivemos um momento como amiguinhas especialmente terno. Certo dia na hora do nosso lanche, vivenciamos uma cena digna para um filme da Netflix...

Subimos uma montanha de barro vermelho que ficava depois da quadra da escola. Era uma manhã fria de inverno, o vento cortava nossas faces, despenteava os cabelos da Shirley, queria arrastar meu chapéu azul de laço vermelho... enquanto gente tremia de frio embaixo dos nossos agasalhos.

Nossos olhinhos apertados contemplavam o céu, no seu mais perfeito azul. Abaixo do do monte de barro havia uma agua parada esverdeada que parecia uma lagoa onde girinos nadavam ligeiros e, sapos coaxavam.

Nós sorriamos, tagarelávamos, brindando nossa travessura como se fosse uma grande aventura...

Éramos duas meninas lavadas, traquinando na hora do recreio.

Quando menos esperei, Shirley, abriu sua lancheira, tirou algo embrulhado em um guardanapo de pano, ela soltou suas pontas e me mostrou um pedaço de bolo suculento.

Enquanto as nuvens brancas brincavam formando figuras engraçadas na amplidão do céu, minha amiguinha me surpreendeu pela segunda vez, partiu o bolo mais ou menos ao meio, estendeu sua mão na minha direção me ofertando a metade.

Risos.

Eu suspirei, agradecendo depois: — Shirley, obrigada! Ela sorriu e disse:—De nada! É a minha mãe que faz este bolo de arroz, porque eu amor bolo de arroz. Eu comecei a amar bolo de arroz também! Eu nunca tinha comido bolo de arroz na vida, nem sabia que do arroz fazia bolo.

Meus olhinhos brilharam, devolvi um sorriso pra ela, como um sinal de gratidão... abocanhando aquela delícia. Risos

O segredo daquela delicia, nunca descobri até que a poucos dias atrás surgiu no YouTube uma receita de bolo de arroz, que logo me levou de volta no tempo.


A Palavra de Deus diz que a tolice e a estupidez estão ligadas ao comportamento da criança.

Infelizmente, algum tempo depois registrei a ultima cena com Shirley, todo resto foi sublimado pelo meu inconsciente. Nossa curta e inesquecível amizade tem apenas duas cenas, o começo e o fim, o meio se perdeu nos labirintos da minha memória.

A professora escrevia nossa lição no quadro ligeiramente, enquanto eu e Shirley estávamos sentadas entre a primeira e a terceira fileira de carteiras, uma ao lado da outra, quando começamos a brigar...

Apenas tenho uma sensação de que fui humilhada, trocamos tapas, não sei quem começou a briga, o motivo de termos nos desentendido, quem bateu primeiro. Só sei que todo resto é um apagão na minha mente.

Aonde andará Shirley a garota do bolo de arroz mais gostoso do mundo? Desejo que ela esteja bem e feliz. Como gostaria de reencontrá-la. Pedir desculpas, abraçá-la.

Você lembrou de algum amiguinho ou amiguinha marcante da sua infância. Escreva nos comentários.

Você tem uma história bacana e gostaria de escrever um artigo, para o Mulher Papo e Café, quem sabe publicar um livro, entra em contato comigo: sidha.moitinho@gmail.com

Se gostou desta matéria compartilhe, deixe seu gostei. Nossa gratidão. Deus te abençoe! Jesus te ama!

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